Gabriela Freire - repórter
A governadora Rosalba
Ciarlini (DEM) vai se encontrar com a presidenta Dilma Roussef (PT) na
próxima terça-feira, 2, durante reunião da Superintendência do
Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) com os governadores dos estados do
nordeste, do Espírito Santo e Minas Gerais. A expectativa é que a
presidenta apresente propostas e ações para reduzir as consequências da
seca no semiárido nordestino.
Edu Barboza
Rosalba Ciarlini prepara as sugestões
Um
dia antes Rosalba vai reunir sua equipe econômica com os secretários
estaduais de Recursos Hídricos e de Agricultura, Leonardo Rego e Júnior
Teixeira, para formatar a proposta que o Rio Grande do Norte levará para
a reunião. A assessoria de comunicação do governo do estado informou
que a governadora vai pedir mais agilidade na liberação de recursos
federais e logística para trazer milho para o estado. A presença da
presidenta Dilma foi anunciada na última terça-feira durante visita da
chefe de governo a Pernambuco.
Rosalba Ciarlini viaja ainda na
tarde de segunda-feira para Fortaleza, onde antes de participar da
reunião que contará com a presença de Dilma Roussef, tomará café com o
governador do Ceará Cid Gomes (PSB). O objetivo é unificar as propostas
dos estados nordestinos e definir uma proposta de consenso sobre a seca.
A justificativa é que a situação é semelhante em todos os estados.
Duas
medidas já estão definidas: prorrogação do Bolsa Estiagem e do
Garantia-Safra. A Bolsa Estiagem assiste agricultores familiares com
renda até dois salários mínimos em municípios em situação de emergência
ou calamidade pública. O Garantia-Safra é destinado aos agricultores
cuja produção foi prejudicada pela seca. Mas outras ações serão
discutidas, como perfuração de poços cartesianos e fornecimento de mais
carros-pipa através do Exército e Defesa Civil Estadual, a questão da
alimentação animal e a logística de navios para trazer milho para o
nordeste.
Ainda em Pernambuco, durante inauguração da primeira
etapa da adutora do Pajeú, Dilma garantiu que o governo ampliará ações
em andamento no sertão nordestino, como o trabalho do Exército na
operação carro-pipa de abastecimento e a venda de milho aos pequenos
produtores a preços mais baixos que os de mercado, mas ressaltou que é
preciso discutir o futuro pós-seca. “Eu acredito que temos que avançar e
assegurar que os mecanismos de combate à seca sejam permanentes. Não é,
de jeito nenhum, que vamos ficar com a mesma história todo o tempo, mas
na hora que acabar a seca e vier a chuva, nós vamos ter de criar
mecanismos que durem e assegurem que as pessoas não sejam atingidas”,
disse a presidenta durante inauguração da primeira etapa do Sistema
Adutor Pajeú, em Serra Talhada/PE.
A
presidenta garantiu que o governo federal terá um programa de
recomposição do rebanho morto em decorrência da maior seca da região nos
últimos 50 anos, mas ressaltou que precisam ser tomadas ações para que
as perdas de animais não voltem a acontecer com tanta intensidade.
“Vamos ter que tratar de uma questão que é o estoque da alimentação dos
rebanhos, como garantirmos que haja permanentemente um estoque de
segurança de garantia dos rebanhos aqui na região”.
Conselho vai apreciar resoluções
Estarão
em pauta na reunião dos governadores do Nordeste com a presidenta Dilma
Rousseff três resoluções que tratam da atuação do Governo Federal em
relação à seca que atinge o Nordeste. O ministro da Integração Nacional,
Fernando Bezerra Coelho, apresentará um balanço das ações implementadas
para enfrentar a estiagem e anunciará novas medidas a serem adotadas.
Uma das resoluções das resoluções a serem apreciadas pelos conselheiros
se refere à autorização concedida ao Banco do Nordeste para promover a
adequação do Plano Aplicado do Fundo Constitucional de Financiamento do
Nordeste (FNE) dos exercícios de 2012 e de 2013, dando continuidade ao
Programa Emergencial para a Seca.
Seca
Uma outra
resolução, de Nº 62, trata da autorização ao Banco do Nordeste do Brasil
para “proceder a suplementação do orçamento dos recursos do Programa
Emergencial para Seca, no exercício de 2012, em R$ 130 milhões, de forma
que a dotação adicional, aprovada pela Resolução Condel nº 062/2012,
passasse de R$ 150 milhões para R$ 280 milhões, a fim de perfazer o
total de R$ 1,78 bilhão, valor equivalente à demanda daquele ano; como
também, a reprogramação da dotação de 2013, do Programa Emergencial para
a Seca, reduzindo-a de R$ 250 milhões para R$ 120 milhões”.
Será
votada, ainda, a autorização ao Banco do Nordeste para adequar o Plano
de Aplicação do FNE do Exercício de 2013, dando continuidade ao Programa
Emergencial para Seca, com a suplementação de R$ 500 milhões oriundos
de remanejamentos do Programa de Aplicação de 2013.
Outros
assuntos a serem abordados são a adequação de procedimentos operacionais
do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FNDE) ao Decreto nº 7.838, de
09 de novembro de 2012, e a apreciação da proposição que trata dos
resultados e impactos do FNE no 1º semestre do exercício de 2012.
RN está com 144 municípios em emergência
A
estiagem que assola o interior do Rio Grande do Norte já dura 19 meses e
avoluma prejuízos em outras atividades do setor agropecuário - como a
produção de mel, castanha de caju, leite e laticínios. Atualmente, 144
municípios do RN estão em estado de calamidade. Cerca de 500 mil pessoas
foram afetadas diretamente. A Secretaria de Estado da Agricultura,
Pecuária e Pesca (Sape) estima uma queda de 70% na produção agrícola e
que 30% do rebanho já foi dizimado. A apicultura também tem sofrido com a
estiagem. É possível identificar produtores que não extraíram nenhum
litro e mel este ano. Sem flores, as abelhas vão embora e a produção de
mel é impossibilitada.
Apenas
sete dos 46 reservatórios que abastecem os 167 municípios do Rio Grande
do Norte estão com volume d’água superior aos 50%. A situação é
preocupante porque as previsões meteorológicas apontam para chuvas
abaixo do normal no sertão nordestino em 2013. O racionamento de água é a
única aposta levantada pelo Governo do Estado para evitar o colapso no
fornecimento de água. A transposição também é um opção, porém, as águas
do rio São Francisco só devem chegar ao RN em 2015. Os sintomas da
estiagem no RN, bem como projetos para combater os efeitos desta, são
discutidos semanalmente em reuniões do Comitê Gestor Integrado da Seca.